O meu amor pela leitura formou-me como escritora, da mesma forma que a experiência insondável de ver (algum) teatro me fez querer escrever para o palco. Descobri que todos os romances e contos já escritos não me prepararam para a especificidade da escrita teatral e, nesse sentido, de uma forma ou de outra, o meu trabalho tem estado sempre ocupado com as coincidências e divergências das duas formas de escrita. Em ambas, interessa-me a forma como a ficção e o drama podem absorver a realidade e devolvê-la numa outra forma de entendimento, ou inteligência. Em cena, interessa-me sobretudo aquilo que não pode ser escrito, o não verbal, o silêncio, e o jogo teatral entre actores.

Joana Bértholo. Lisboa, 1982. É licenciada em Design de Comunicação na Faculdade de Belas-Artes de Lisboa; e doutorada em Estudos Culturais pela European University Viadrina, na Alemanha. Em paralelo à criação literária, escreve para dança, para teatro, e dá aulas.
Em 2005, com 23 anos, foi finalista do prémio Jovens Criadores. Em 2009, o seu primeiro romance “Diálogos Para o Fim do Mundo” ganha o Prémio Maria Amália Vaz de Carvalho, e é publicado pela Editorial Caminho. Desde então publicou outros romances (“O Lago Avesso” e “Ecologia”), livros de contos (“Inventário do Pó”, e “Havia”), e um livro infanto-juvenil (“O Museu do Pensamento”) todos na Editorial Caminho; bem como outros livros noutras editoras, com destaque para a Dois Dias Edições e as Edições Prado. “O Museu do Pensamento” recebeu o Prémio do Festival Literário de Fátima e foi nomeado pela Sociedade Portuguesa de Autores para o Prémio SPA.
Em teatro, escreveu para duas edições do Festival Teatro das Compras (com direcção de Giacomo Scalisi) e apoiou a dramaturgia de diferentes criações: várias criações da coreógrafa Madalena Victorino, e outras de Raquel Castro (“O Olhar de Milhões”), Cláudia Andrade (“Para Vós”), Filipe Caldeira e Catarina Gonçalves (“Lusco-Fusco”). A sua primeira peça longa (“Quarto Minguante”), escrita no Laboratório de Escrita para Teatro do Teatro Nacional D. Maria II, estreou nesse mesmo teatro em Novembro de 2018, com encenação de Álvaro Correia. No mesmo ano foi-lhe atribuída a Bolsa de Criação Literária, em Dramaturgia, pela Direcção Geral dos Livros, Arquivos e Bibliotecas (DGLAB).

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Qual é o papel da imaginação na resolução de impasses coletivos?
Sete personagens em situações muito diferentes, mas unidos pelo mesmo impasse: não estão bem, e nem por isso fazem algo por mudar. Temem que o novo seja ainda pior. O mundo em que vivem estreita-se em redor deles, têm cada vez menos espaço para circular, mas tentam a todo o custo manter o quotidiano. Recusam-se a discutir alternativas.